✠ Continuação do santo Evangelho segundo S. Lucas.
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um certo homem rico, que se vestia de púrpura e de linho fino e se banqueteava todos os dias com o maior esplendor. Havia, também, um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia, deitado à porta do rico, coberto de úlceras, e desejava comer as migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava, vindo os cães lamber-lhe as chagas! Aconteceu, porém, que morreu o pobre, sendo levado pelos Anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, que foi sepultado no inferno. Ora, erguendo o rico os olhos, enquanto jazia em tormentos, viu ao longe Abraão, e, no seu seio, viu Lázaro. Então, disse em clamor: «Pai Abraão, tende misericórdia de mim; mandai que Lázaro com a ponta do seu dedo molhada em água venha refrescar a minha língua, porque sofro cruelmente nestas chamas!». Respondeu-lhe Abraão: «Filho, recorda-te de que recebeste bens durante a vida, e de que ao mesmo tempo Lázaro sofreu males. Agora, pois, este será consolado e tu sofrerás. Além disso, um grande abysmo está cavado entre nós; de sorte que os que quiserem passar daqui para lá não poderão; nem tão-pouco os daí poderão passar para aqui». E o rico continuou: «Eu vos suplico, ó pai, que envieis Lázaro a casa de meu pai, pois tenho lá cinco irmãos, para que lhes dê testemunho destas coisas, de modo que não venham também para este lugar de tormentos». Abraão respondeu: «Eles têm lá Moisés e os Profetas; que os ouçam, pois!». Mas ele disse: «Não, pai Abraão, não os ouvirão; mas, se algum dos mortos lhes falar, farão penitência». Abraão disse-lhe: «Se não ouvem nem Moisés nem os Profetas, ainda mesmo que algum dos mortos ressuscite, tão-pouco o acreditarão».