In illo témpore: Dixit Jesus pharisǽis: Homo quidam erat dives, qui induebátur púrpura et bysso: et epulabátur cotídie spléndide. Et erat quidam mendícus, nómine Lázarus, qui jacébat ad jánuam ejus, ulcéribus plenus, cúpiens saturári de micis, quæ cadébant de mensa dívitis, et nemo illi dabat: sed et canes veniébant et lingébant úlcera ejus. Factum est autem, ut morerétur mendícus, et portarétur ab Angelis in sinum Abrahæ. Mórtuus est autem et dives, et sepúltus est in inférno. Elevans autem óculos suos, cum esset in torméntis, vidit Abraham a longe, et Lázarum in sinu ejus: et ipse clamans, dixit: Pater Abraham, miserére mei, et mitte Lázarum, ut intíngat extrémum dígiti sui in aquam, ut refrígeret linguam meam, quia crúcior in hac flamma. Et dixit illi Abraham: Fili, recordáre, quia recepísti bona in vita tua, et Lázarus simíliter mala: nunc autem hic consolátur, tu vero cruciáris. Et in his ómnibus, inter nos et vos chaos magnum firmátum est: ut hi, qui volunt hinc transíre ad vos, non possint, neque inde huc transmeáre. Et ait: Rogo ergo te, pater, ut mittas eum in domum patris mei. Hábeo enim quinque fratres, ut testétur illis, ne et ipsi véniant in hunc locum tormentórum. Et ait illi Abraham: Habent Móysen et Prophétas: áudiant illos. At ille dixit: Non, pater Abraham: sed si quis ex mórtuis íerit ad eos, pæniténtiam agent. Ait autem illi: Si Móysen et Prophétas non áudiunt, neque si quis ex mórtuis resurréxerit, credent.
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um certo homem rico, que se vestia de púrpura e de linho fino e se banqueteava todos os dias com o maior esplendor. Havia, também, um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia, deitado à porta do rico, coberto de úlceras, e desejava comer as migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava, vindo os cães lamber-lhe as chagas! Aconteceu, porém, que morreu o pobre, sendo levado pelos Anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, que foi sepultado no inferno. Ora, erguendo o rico os olhos, enquanto jazia em tormentos, viu ao longe Abraão, e, no seu seio, viu Lázaro. Então, disse em clamor: «Pai Abraão, tende misericórdia de mim; mandai que Lázaro com a ponta do seu dedo molhada em água venha refrescar a minha língua, porque sofro cruelmente nestas chamas!». Respondeu-lhe Abraão: «Filho, recorda-te de que recebeste bens durante a vida, e de que ao mesmo tempo Lázaro sofreu males. Agora, pois, este será consolado e tu sofrerás. Além disso, um grande abysmo está cavado entre nós; de sorte que os que quiserem passar daqui para lá não poderão; nem tão-pouco os daí poderão passar para aqui». E o rico continuou: «Eu vos suplico, ó pai, que envieis Lázaro a casa de meu pai, pois tenho lá cinco irmãos, para que lhes dê testemunho destas coisas, de modo que não venham também para este lugar de tormentos». Abraão respondeu: «Eles têm lá Moisés e os Profetas; que os ouçam, pois!». Mas ele disse: «Não, pai Abraão, não os ouvirão; mas, se algum dos mortos lhes falar, farão penitência». Abraão disse-lhe: «Se não ouvem nem Moisés nem os Profetas, ainda mesmo que algum dos mortos ressuscite, tão-pouco o acreditarão».