✠ Continuação do santo Evangelho segundo S. João.
Naquele tempo, estando já em meio os dias da festa, Jesus subiu ao templo e aí ensinava. E os judeus admiravam-se, dizendo: «Como conhece Ele as Escrituras, se as não estudou?». Respondeu-lhes Jesus: «Esta doutrina não é minha, mas d’Aquele que me mandou. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, conhecerá se a minha doutrina é de Deus, ou se falo de mim mesmo. Quem fala de si mesmo procura a sua própria glória; mas quem procura a glória de quem o mandou é verdadeiro; nele não há impostura. Porventura Moisés vos não deu a Lei? Contudo, nenhum de vós a cumpre! Porque procurais matar-me?». A multidão respondeu e disse: «Tu estás possesso do demónio! Quem é que quer matar-te?». Respondeu Jesus, dizendo: «Uma só obra pratiquei e todos vos maravilhais! Pois Moisés ordenou a circuncisão (não que ela venha de Moisés, mas dos Patriarcas) e vós ao sábado circuncidais o homem. Se, pois, o homem recebe a circuncisão ao sábado para não violar a Lei de Moisés, porque vos indignais comigo por Eu haver curado completamente um homem ao sábado? Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a justiça». Diziam, então, alguns de Jerusalém: «Não é Este a quem intentam matar? Eis que fala publicamente e lhe não dizem nada! Porventura os príncipes do povo terão reconhecido que Este é verdadeiramente o Cristo? Este bem sabemos donde é; porém, quando vier o Cristo, ninguém saberá donde Ele é». Clamava, então, Jesus no templo, ensinando e dizendo: «Conheceis-me e sabeis donde sou; contudo, não vim de mim mesmo; mas Aquele que me enviou é verdadeiro, ainda que vós O não conheçais. Eu conheço-O, porque sou d’Ele, e foi Ele quem me mandou». Procuravam, então, prendê-l’O; mas ninguém pôs mão sobre Ele, Porque ainda não chegara a sua hora. E muitos da multidão, ouvindo-O, acreditaram.