In diébus illis: Congregáti sunt Babylónii ad regem, et dixérunt ei: Trade nobis Daniélem, qui Bel destrúxit et dracónem interfecit, alioquin interficiémus te et domum tuam. Vidit ergo rex, quod irrúerent in eum veheménter: et necessitáte compúlsus trádidit eis Daniélem. Qui misérunt eum in lacum leónum, et erat ibi diébus sex. Porro in lacu erant leónes septem, et dabántur eis duo córpora cotídie et duæ oves: et tunc non data sunt eis, ut devorárent Daniélem. Erat autem Hábacuc prophéta in Judǽa, et ipse cóxerat pulméntum, et intríverat panes in alvéolo: et ibat in campum, ut ferret messóribus. Dixítque Angelus Dómini ad Hábacuc: Fer prándium, quod habes, in Babylónem Daniéli, qui est in lacu leónum. Et dixit Hábacuc: Dómine, Babylónem non vidi, et lacum néscio. Et apprehéndit eum Angelus Dómini in vértice ejus, et portávit eum capíllo cápitis sui, posuítque eum in Babylóne supra lacum in ímpetu spíritus sui. Et clamávit Hábacuc, dicens: Dániel, serve Dei, tolle prándium, quod misit tibi Deus. Et ait Dániel: Recordátus es mei, Deus, et non dereliquísti diligéntes te. Surgénsque Daniel comédit. Porro Angelus Dómini restítuit Hábacuc conféstim in loco suo. Venit ergo rex die séptimo, ut lugéret Daniélem: et venit ad lacum et introspéxit, et ecce Dániel sedens in médio leónum. Et exclamávit voce magna rex, dicens: Magnus es, Dómine, Deus Daniélis. Et extráxit eum de lacu leónum. Porro illos, qui perditiónis ejus causa fúerant, intromísit in lacum, et devoráti sunt in moménto coram eo. Tunc rex ait: Páveant omnes habitántes in univérsa terra Deum Daniélis: quia ipse est salvátor, fáciens signa et mirabília in terra: qui liberávit Daniélem de lacu leónum.
Naqueles dias, reuniram-se os babilónios, foram ao rei e disseram-lhe: «Entrega-nos Daniel, que destruiu Bel e matou o dragão; senão matar-te-emos a ti e à tua família». Vendo o rei que eles instavam e o Obrigavam violentamente, entregou-lhes Daniel, levado pela necessidade. Então, lançaram-no na cova dos leões, onde esteve seis dias. Ora, havia na cova sete leões, aos quais costumavam dar de comer, todos os dias, dois cadáveres e duas oves lhas. Durante aqueles dias lhes não deram nada, para que devorassem Daniel. Ao mesmo tempo, havia na Judeia um Profeta chamado Habacuc. Estando este a preparar a sua comida, acabara de misturá-la em uma vasilha com pão e ia levá-la ao campo aos ceifeiros, quando o Anjo do Senhor lhe disse: «Leva o jantar que aí tens a Daniel, que está em Babilónia, na cova dos leões». Habacuc respondeu: «Senhor, eu nunca vi Babilónia, nem sei onde é a cova!». Então o Anjo do Senhor segurou-o pelo alto da cabeça e, levando-o pelos cabelos, conduziu-o com a rapidez do seu espírito a Babilónia, mesmo por cima da cova. E Habacuc gritou: «Daniel, servo do Senhor, toma o jantar, que Deus te enviou». Daniel disse: «Meu Deus, recordastes-Vos de mim; pois não abandonais aqueles que Vos amam». Levantando-se Daniel, comeu. Logo o Anjo do Senhor levou Habacuc para sua casa. No sétimo dia foi o rei perto da cova para prantear Daniel; e, tendo olhado para dentro, viu Daniel, sentado no meio dos leões. Logo o rei, estupefacto, exclamou em voz alta: «Grande sois Vós, Senhor, Deus de Daniel!». E tirou-o da cova dos leões. Imediatamente mandou meter na mesma cova aqueles que intentaram matar Daniel, os quais à vista de todos, num momento, foram devorados pelos leões. Então o rei disse: «Que todos os habitantes da terra temam Aquele que é o Deus de Daniel, pois Ele é o Salvador, que opera milagres e maravilhas na terra e que livrou Daniel da cova dos leões!».