C. Et misit eum Annas ligátum ad Cáipham pontíficem. Erat autem Simon Petrus stans et calefáciens se. Dixérunt ergo ei: S. Numquid et tu ex discípulis ejus es? C. Negávit ille et dixit: S. Non sum. C. Dicit ei unus ex servis pontíficis, cognátus ejus, cujus abscídit Petrus aurículam: S. Nonne ego te vidi in horto cum illo? C. Iterum ergo negávit Petrus: et statim gallus cantávit.C. Anás enviou-O, amarrado, a Caifás, que era o pontífice. Simão-Pedro continuava no mesmo lugar, se aquecendo. Disseram-lhe então: S. «Porventura não és tu discípulo d’Ele?». C. Pedro negou, dizendo: S. «Não sou». C. Um dos servos do pontífice, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse ainda a este: S. «Acaso te não vi eu no horto com Ele?». C. Outra vez Pedro negou; e, logo, o galo cantou! Addúcunt ergo Jesum a Cáipha in prætórium. Erat autem mane: et ipsi non introiérunt in prætórium, ut non contaminaréntur, sed ut manducárent pascha. Exívit ergo Pilátus ad eos foras et dixit: S. Quam accusatiónem affértis advérsus hóminem hunc? C. Respondérunt et dixérunt ei: S. Si non esset hic malefáctor, non tibi tradidissémus eum. C. Dixit ergo eis Pilátus: S. Accípite eum vos, et secúndum legem vestram judicáte eum. C. Dixérunt ergo ei Judǽi: S. Nobis non licet interfícere quemquam. C. Ut sermo Jesu implerétur, quem dixit, signíficans, qua morte esset moritúrus. Introívit ergo íterum in prætórium Pilátus, et vocávit Jesum et dixit ei: S. Tu es Rex Judæórum? C. Respóndit Jesus: ✠ A temetípso hoc dicis, an álii dixérunt tibi de me? C. Respóndit Pilátus: S. Numquid ego Judǽus sum? Gens tua et pontífices tradidérunt te mihi: quid fecísti? C. Respóndit Jesus: ✠ Regnum meum non est de hoc mundo. Si ex hoc mundo esset regnum meum, minístri mei útique decertárent, ut non tráderer Judǽis: nunc autem regnum meum non est hinc. C. Dixit itaque ei Pilátus: S. Ergo Rex es tu? C. Respóndit Jesus: ✠ Tu dicis, quia Rex sum ego. Ego in hoc natus sum et ad hoc veni in mundum, ut testimónium perhíbeam veritáti: omnis, qui est ex veritáte, audit vocem meam. C. Dicit ei Pilátus: S. Quid est véritas? C. Et cum hoc dixísset, íterum exívit ad Judǽos, et dicit eis: S. Ego nullam invénio in eo causam. Est autem consuetúdo vobis, ut unum dimíttam vobis in Pascha: vultis ergo dimíttam vobis Regem Judæórum? C. Clamavérunt ergo rursum omnes, dicéntes: S. Non hunc, sed Barábbam. C. Erat autem Barábbas latro. Tunc ergo apprehéndit Pilátus Jesum et flagellávit. Et mílites plecténtes corónam de spinis, imposuérunt cápiti ejus: et veste purpúrea circumdedérunt eum. Et veniébant ad eum, et dicébant: S. Ave, Rex Judæórum. C. Et dabant ei álapas. Exívit ergo íterum Pilátus foras et dicit eis: S. Ecce, addúco vobis eum foras, ut cognoscátis, quia nullam invénio in eo causam. C. (Exívit ergo Jesus portans corónam spíneam et purpúreum vestiméntum.) Et dicit eis: S. Ecce homo. C. Cum ergo vidíssent eum pontífices et minístri, clamábant, dicéntes: S. Crucifíge, crucifíge eum. C. Dicit eis Pilátus: S. Accípite eum vos et crucifígite: ego enim non invénio in eo causam. C. Respondérunt ei Judǽi: S. Nos legem habémus, et secúndum legem debet mori, quia Fílium Dei se fecit. C. Cum ergo audísset Pilátus hunc sermónem, magis tímuit. Et ingréssus est prætórium íterum: et dixit ad Jesum: S. Unde es tu? C. Jesus autem respónsum non dedit ei. Dicit ergo ei Pilátus: S. Mihi non lóqueris? nescis, quia potestátem hábeo crucifígere te, et potestátem hábeo dimíttere te? C. Respóndit Jesus: ✠ Non habéres potestátem advérsum me ullam, nisi tibi datum esset désuper. Proptérea, qui me trádidit tibi, majus peccátum habet. C. Et exínde quærébat Pilátus dimíttere eum. Judǽi autem clamábant dicéntes: S. Si hunc dimíttis, non es amícus Cǽsaris. Omnis enim, qui se regem facit, contradícit Cǽsari. C. Pilátus autem cum audísset hos sermónes, addúxit foras Jesum, et sedit pro tribunáli, in loco, qui dícitur Lithóstrotos, hebráice autem Gábbatha. Erat autem Parascéve Paschæ, hora quasi sexta, et dicit Judǽis: S. Ecce Rex vester. C. Illi autem clamábant: S. Tolle, tolle, crucifíge eum. C. Dicit eis Pilátus: S. Regem vestrum crucifígam? C. Respondérunt pontífices: S. Non habémus regem nisi Cǽsarem. C. Tunc ergo trádidit eis illum, ut crucifigerétur. Suscepérunt autem Jesum et eduxérunt. Depois disto conduziram Jesus de casa de Caifás para o Pretório.
Era já de manhã; e por isso não entraram, a fim de que se não contaminassem e pudessem comer a Páscoa. Saiu, pois, Pilatos fora, a ouvi-los, e disse: S. «Que acusação fazeis a este homem?». C. Responderam e disseram: S. «Se Ele não fosse um malfeitor não to teríamos entregue». C. E Pilatos disse-lhes: S. «Tomai-O vós e julgai-O, segundo a vossa lei». C. Ao que os judeus retorquiram: S. «Não nos é permitido condenar ninguém à morte». C. Estas palavras foram ditas para que se cumprisse o que Jesus anunciara, indicando de que morte havia de morrer. Entrou, então, Pilatos no Pretório, chamou Jesus e disse-Lhe: S. «Sois o Rei dos judeus?». C. Jesus respondeu-lhe: ✠ «Dizes isso de ti mesmo, ou foram outros que te disseram isso de mim?». C. Pilatos respondeu-Lhe: S. «Acaso sou eu judeu? vosso povo e os pontífices entregaram-Vos às minhas mãos. Que mal fizestes?». C. Jesus disse: ✠ «Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros certamente teriam combatido para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas o meu reino não é deste mundo». C. Disse-Lhe Pilatos: S. «Então sois Rei». C. Respondeu Jesus: ✠ «Tu o dizes: Eu sou Rei! Eu nasci e vim a este mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que procura a verdade escuta a minha voz». C. Disse-Lhe, pois, Pilatos: S. «Que é a verdade?». C. E, dizendo isto, foi novamente falar com os judeus, dizendo-lhes: S. «Não acho n’Ele crime algum digno de condenação. Ora, como é costume entre vós dar liberdade a um preso na Páscoa, quereis que solte o Rei dos judeus?». C. Então clamaram, novamente, todos: S. «Esse, não; mas sim Barrabás». C. Barrabás era, porém, um ladrão. Então Pilatos mandou açoitar Jesus, Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-Lha na cabeça; e vestiram-n’O com um manto de púrpura. Vinham ter com Ele e diziam-Lhe: S. «Salve, ó Rei dos judeus!». C. Davam-Lhe também bofetadas. Pilatos saiu outra vez para fora e disse-lhes: S. «Eis que vo-l’O apresento novamente, para que saibais que não há n’Ele causa de condenação». C. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e um manto de púrpura. E Pilatos disse: S. «Eis aqui o homem!». C. Apenas os príncipes dos sacerdotes e os satélites viram Jesus, gritavam e diziam: S. «Crucifica-O; crucifica-O!». C. E Pilatos respondeu: S. «Tomai-O vós e crucificai-O; pois não encontro n’Ele crime algum digno de condenação». C. Retorquiram-lhe os judeus: S. «Nós temos uma lei e, segundo ela, Jesus deve morrer, porque se diz Filho de Deus». C. Quando Pilatos ouviu estas palavras, temeu ainda mais. E, entrando outra vez no Pretório, perguntou a Jesus: S. «Donde sois Vós?». C. Jesus lhe não respondeu. Pilatos continuou então: S. «Não me respondeis? Ignorais que tenho poder para Vos mandar crucificar ou dar liberdade?». C. Respondeu-lhe Jesus: ✠ «Nenhum poder teríeis em mim, se vos não fora dado pelo alto; por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de maior pecado». C. E Pilatos procurava algum meio com que salvasse Jesus; contudo, os judeus clamavam, dizendo: S. «Se O soltas não és amigo de César; porquanto, quem se faz rei declara-se contra César», Ouvindo estas palavras, Pilatos conduziu Jesus para fora e sentou-se no tribunal, em um lugar chamado Litóstrotos (que em hebreu significa Gabbata). Era então o dia de Parasceve (Preparação) da Páscoa, e quase a hora sexta. Pilatos disse aos judeus: S. «Eis o vosso rei!». C. Mas eles clamavam: S. «Tira-O; tira-O; crucifica-O!». C. E disse-lhes Pilatos: S. «Pois hei-de crucificar o vosso rei?». C. Os pontífices responderam: S. «Não temos outro rei senão César». C. Entregou-lhes, pois, finalmente, Jesus, para que fosse crucificado. Então seguraram-n’O e levaram-n’O.