Ecce, iste venit sáliens in móntibus, transíliens colles; símilis est diléctus meus cápreæ hinnulóque cervórum. En, ipse stat post paríetem nostrum, respíciens per fenéstras, prospíciens per cancéllos. En, diléctus meus lóquitur mihi: Surge, própera, amíca mea, colúmba mea, formósa mea, et veni. Jam enim hiems tránsiit, imber ábiit et recéssit. Flores apparuérunt in terra nostra, tempus putatiónis advénit: vox túrturis audíta est in terra nostra: ficus prótulit grossos suos: víneæ floréntes dedérunt odórem suum. Surge, amíca mea, speciósa mea, et veni: colúmba mea in foramínibus petra, in cavérna macériæ, osténde mihi fáciem tuam, sonet vox tua in áuribus meis: vox enim tua dulcis et fácies tua decóra.
Eis que ele vem, galgando montes e transpondo outeiros! Meu amado é semelhante ao gamo e ao filho das corças. Eis que ele vem por detrás da nossa parede, olhando pelas janelas e espreitando pelas frestas. E o meu amado fala-me e diz: «Ergue-te, apressa-te e vem, ó minha amiga, ó minha pomba, ó minha única beleza! Pois já o Inverno acabou; já as chuvas cessaram e se retiraram. As flores brotaram nos nossos jardins; chegou o tempo da poda; ouve-se a voz da rola nos nossos campos; a figueira começa a mostrar os primeiros frutos e as vinhas em flor exalam aromas! Ergue-te e vem, minha amiga, minha única beleza! Ó minha pomba escondida nas fendas das rochas e nas cavernas dos muros em ruínas, mostra-me a tua face e soe tua voz nos meus ouvidos. A tua voz é doce e a tua face graciosa!».