In diébus illis: Dixit Rebécca fílio suo Jacob: Audívi patrem tuum loquéntem cum Esau fratre tuo, et dicéntem ei: Affer mihi de venatióne tua, et fac cibos, ut comédam et benedícam tibi coram Dómino, ántequam móriar. Nunc ergo, fili mi, acquiésce consíliis meis: et pergens ad gregem, affer mihi duos hædos óptimos, ut fáciam ex eis escas patri tuo, quibus libénter véscitur: quas cum intúleris et coméderit, benedícat tibi, priúsquam moriátur. Cui ille respóndit: Nosti, quod Esau, frater meus, homo pilósus sit, et ego lenis: si attrectáverit me pater meus et sénserit, tímeo, ne putet me sibi voluísse illúdere, et indúcam super me maledictiónem pro benedictióne. Ad quem mater: In me sit, ait, ista male díctio, fili mi: tantum audi vocem meam, et pergens affer quæ dixi. Abiit, et áttulit, dedítque matri. Parávit illa cibos, sicut velle nóverat patrem illíus. Et véstibus Esau valde bonis, quas apud se habébat domi, índuit eum: pelliculásque hædórum circúmdedit mánibus, et colli nuda protéxit. Dedítque pulméntum, et panes, quos cóxerat, trádidit. Quibus illátis, dixit: Pater mi! At ille respóndit: Audio. Quis es tu, fili mi? Dixítque Jacob: Ego sum primogénitus tuus Esau: feci, sicut præcepísti mihi: surge, sede, et cómede de venatióne mea, ut benedícat mihi ánima tua. Rursúmque Isaac ad fílium suum: Quómodo, inquit, tam cito inveníre potuísti, fili mi? Qui respóndit: Volúntas Dei fuit, ut cito occúrreret mihi quod volébam. Dixítque Isaac: Accéde huc, ut tangam te, fili mi, et probem, utrum tu sis fílius meus Esau, an non. Accéssit ille ad patrem, et palpáto eo, dixit Isaac: Vox quidem vox Jacob est, sed manus manus sunt Esau. Et non cognóvit eum, quia pilósæ manus similitúdinem majóris exprésserant. Benedícens ergo illi, ait: Tu es fílius meus Esau? Respóndit: Ego sum. At ille: Affer mihi, inquit, cibos de venatióne tua, fili mi, ut benedícat tibi ánima mea. Quos cum oblátos comedísset, óbtulit ei étiam vinum. Quo hausto, dixit ad eum: Accéde ad me, et da mihi ósculum, fili mi. Accéssit, et osculátus est eum. Statímque ut sensit vestimentórum illíus fragrántiam, benedícens illi, ait: Ecce, odor fílii mei sicut odor agri pleni, cui benedíxit Dóminus. Det tibi Deus de rore cœli, et de pinguédine terræ abundántiam fruménti et vini. Et sérviant tibi pópuli, et ad orent te tribus: esto dóminus fratrum tuórum, et incurvéntur ante te fílii matris tuæ. Qui male díxerit tibi, sit ille maledíctus: et qui benedíxerit tibi, benedictiónibus repleátur. Vix Isaac sermónem impléverat, et egrésso Jacob foras, venit Esau, coctósque de venatióne cibos íntulit patri, dicens: Surge, pater mi, et cómede de venatióne fílii tui, ut benedícat mihi ánima tua. Dixítque illi Isaac: Quis enim es tu? Qui respóndit: Ego sum fílius tuus primogénitus Esau. Expávit Isaac stupóre veheménti, et ultra quam credi potest, admírans, ait: Quis ígitur ille est, qui dudum captam venatiónem áttulit mihi, et comédi ex ómnibus, priúsquam tu veníres? Benedixíque ei, et erit benedíctus. Audítis Esau sermónibus patris, irrúgiit clamóre magno, et consternátus, ait: Bénedic etiam et mihi, pater mi. Qui ait: Venit germánus tuus fraudulénter, et accépit benedictiónem tuam. At ille subjunxit: Juste vocátum est nomen ejus Jacob: supplantávit enim me en áltera vice: primogénita mea ante tulit, et nunc secúndo surrípuit benedictiónem meam. Rursúmque ad patrem: Numquid non reservásti, ait, et mihi benedictiónem? Respóndit Isaac: Dóminum tuum illum constítui, et omnes fratres ejus servitúti illíus subjugávi: fruménto et vino stabilívi eum, et tibi post hæc, fili mi, ultra quid fáciam? Cui Esau: Num unam, inquit, tantum benedictiónem habes, pater? mihi quoque óbsecro ut benedícas. Cumque ejulátu magno fleret, motus Isaac, dixit ad eum: In pinguédine terræ, et in rore cœli désuper erit benedíctio tua.
Naqueles dias, disse Rebeca a seu filho Jacob: «Ouvi teu pai, que falava com teu irmão Esaú e lhe dizia: «Dá-me alguma coisa da tua caça e prepara-a, para que eu a coma. Depois abençoar-te-ei, diante do Senhor, antes da minha morte». Agora, pois, meu filho, segue os meus conselhos: vai ao rebanho e traze-me dois cabritos gordos, para que eu faça com eles os manjares de que teu pai gosta mais. E tu lhos apresentarás, ele comerá e te dará a bênção antes de morrer». Jacob respondeu-lhe: «Bem sabeis que meu irmão Esaú é um homem cabeludo e eu não tenho pêlo. Se, pois, meu pai me apalpar e conhecer, receio que julgue querer iludi-lo; então me dará a maldição, em vez da bênção». Ao que a mãe respondeu: «Chamarei para mim essa maldição, meu filho. Ouve somente a minha voz e vai buscar o que te disse». Então, ele foi buscar os cabritos, trouxe-os e deu-os a sua mãe, que preparou manjares como o pai gostava. Depois, vestiu Jacob com os melhores vestidos de Esaú, que tinha guardados em casa, cobriu-lhe as mãos e o pescoço, até onde estava descoberto, com as peles dos cabritos, e deu-lhe os manjares e os pães que cozera. Levando Jacob isto a Isaque, disse-lhe: «Meu pai», Ele respondeu: «Bem ouço. Quem és tu, meu filho? ». Jacob disse: «Sou o teu filho primogénito Esaú. Fiz como me mandaste. Ergue-te, senta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe». Disse ainda Isaque a seu filho: «Como pudeste encontrá-la tão depressa, meu filho?». Este respondeu: «Foi vontade de Deus que depressa encontrasse o que queria». Disse Isaque: «Chega-te cá, meu filho, para que te apalpe e conheça se és ou não o meu filho Esaú». Chegou-se ele a seu pai. Isaque, tendo-o apalpado, disse: «Na verdade, a voz é de Jacob, mas as mãos são de Esaú». E o não conheceu, porque as mãos estavam cobertas de pêlo, à semelhança das do filho primogénito. Isaque, abençoando-o, disse: «És tu o meu filho Esaú?». «Sou eu» , respondeu. E Isaque continuou: «Traze-me os manjares da tua caça, meu filho, para que minha alma te abençoe». Jacob apresentou-lhos. E depois que Isaque comeu, levou-lhe também vinho. Então Isaque, havendo-o bebido, disse: «Aproxima-te de mim e beija-me, meu filho». Ele aproximou-se e beijou-o. Logo que Isaque sentiu a fragrância dos vestidos que Jacob levava, disse, abençoando-o: «Eis que o cheiro de meu filho é como o cheiro dum campo fértil que o Senhor abençoou! Deus te conceda abundância de trigo e de vinho, pelo orvalho do céu e gordura da terra. Sirvam-te os povos; e que as tribos se inclinem diante de ti, Sê senhor dos teus irmãos; e que os filhos da tua mãe se prostrem diante de ti. Maldito seja quem te amaldiçoar; e abençoado seja quem te abençoar». Apenas Isaque acabara de falar e havendo já saído Jacob, veio Esaú e levou a seu pai manjares da sua caça, dizendo-lhe: «Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que a tua alma me abençoe». Isaque disse-lhe: «Pois quem és tu?». Ele respondeu: «Sou Esaú, teu filho primogénito». Isaque ficou profundamente surpreendido (até mais do que se pode acreditar) e, admirado, disse: «Quem foi, pois, aquele que há pouco me trouxe caça, e da qual comi, antes que viesses? Eu o abençoei, e abençoado será». Ouvindo Esaú estas palavras do pai, bradou com grande clamor e cheio de consternação: «Abençoa-me também a mim, meu pai». Isaque respondeu: «O teu irmão veio fraudulentamente e recebeu a tua bênção». Então Esaú acrescentou: «É, pois, com razão que ele foi chamado Jacob, pois já me suplantou duas vezes: primeiramente, tirou-me o direito de primogenitura; e agora, também com nova fraude, arrebatou-me a bênção!». E acrescentou, dirigindo-se a seu pai: «Porventura não reservaste uma bênção para mim?». Respondeu Isaque: «Eu instituí-o teu senhor e sujeitei ao seu poder todos teus irmãos; dei-lhe a posse do trigo e do vinho. Depois disto, meu filho, que resta para ti?». Esaú disse: «Acaso tens só uma bênção, meu pai? Suplico-te que me abençoes também». E Esaú chorou com fortes soluços e gritos! Então Isaque, comovido, disse-lhe: «A tua bênção estará na gordura da terra e no orvalho do céu».