✠ Continuação do santo Evangelho segundo S. João.
Naquele tempo, indo Jesus a passar, viu um cego de nascença. Então os seus discípulos interrogaram-n’O: «Mestre, quem foi que pecou, para que ele tivesse nascido cego? Ele ou os seus pais?». Respondeu Jesus: «Nem ele, nem os pais; mas aconteceu isto para que as obras de Deus se manifestassem nele. É necessário que Eu faça as obras d’Aquele que me mandou, enquanto é dia; porque, quando vem a noite, não se pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo». Tendo assim falado, cuspiu no chão, fez uma espécie de lodo com a saliva, e, pondo esse lodo nos olhos do cego, disse-lhe: «Vai e lava-te na piscina de Siloé» (que quer dizer: enviado). Foi ele, lavou-se e voltou, vendo já; de sorte que os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto pedir esmola diziam: «Porventura não é este o que antes estava sentado a mendigar?». Uns diziam: «É este mesmo». Mas outros diziam: «Não é este; mas outro que se parece com ele». Porém, ele dizia: «Sou eu mesmo». Então diziam-lhe: «Como, pois, se abriram os teus olhos?». Ele respondeu: «Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, untou-me os olhos com o lodo e disse-me: «Vai à piscina de Siloé e lava-te». E eu fui, lavei-me e agora vejo!». E disseram-lhe: «Onde está Ele?». «Não sei» , disse o curado. Levaram, então, aos fariseus aquele que havia sido cego. Ora, era sábado quando Jesus fizera o lodo e lhe abrira os olhos. De novo os fariseus lhe perguntaram como fora curado. Ele disse-lhes: «Pôs-me lodo nos olhos, lavei-me e vejo». Alguns fariseus diziam: «Esse homem não é de Deus, pois não observa o sábado». Outros diziam: «Mas como pode um homem pecador fazer tais maravilhas?». E havia dissenção entre eles. Então, chamaram mais uma vez o cego e perguntaram-lhe: «Que dizes daquele que te abriu os olhos?». Ele respondeu: «É um Profeta». Mas os judeus não acreditaram que ele tivesse sido cego e que agora houvesse recobrado a vista. Chamaram, pois, à sua presença os pais do que recobrara a vista, dizendo-lhes: «É este o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê ele agora?». Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas ignoramos como agora vê e quem foi que lhe abriu os olhos. Interrogai-o a ele próprio, pois já tem idade para falar de si». Os pais falaram assim, porque temiam os judeus; pois estes haviam resolvido que todo aquele que reconhecesse Jesus como Cristo seria expulso da sinagoga. Por isso os pais disseram: «Já tem idade, interrogai-o a ele próprio». Novamente os fariseus chamaram o que havia sido cego e disseram-lhe: «Dá glória a Deus! Sabemos que esse homem é um pecador». Replicou o que fora cego: «Se Ele é pecador, não sei. Uma coisa sei: é que eu era cego e agora vejo». E disseram-lhe ainda: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?». Respondeu-lhes: «Já vo-lo disse e ouvistes; para que quereis ouvir ainda? Porventura quereis também fazer-vos seus discípulos?». Então os fariseus amaldiçoaram-no e disseram-lhe: «Sejas tu seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés; porém, este não sabemos donde vem». Respondeu aquele homem: «Na verdade, é para admirar que não saibais donde vem Aquele que me abriu os olhos, pois sabemos que Deus não atende aos pecadores; mas, se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, Deus atende-o. Nunca se ouviu dizer que uma qualquer pessoa tenha aberto os olhos a um cego de nascença! Se Ele não fosse Deus, nada poderia fazer!». Responderam-lhe eles: «Nasceste inteiramente em pecado e queres ensinar-nos?». E expulsaram-no!... Logo que Jesus ouviu dizer que haviam expulsado o cego, foi ao seu encontro e disse-lhe: «Tu crês no Filho de Deus?». Respondeu o cego, dizendo: «Quem é ele, Senhor, para que eu creia?». Jesus disse-lhe: «Já o tens visto. É Aquele que fala contigo!». E o cego disse: «Creio, Senhor!». (Todos devem ajoelhar) E de joelhos o adorou!